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Aula 8 11 de abril de 2019 noite

Sociologia da Educação I 2019103 Noite prof Elie Ghanem

Aula 8 11 de abril de 2019 Tradição


Um violinista no telhado

Filme de Norman Jewson, 1971, 180 min.

Panelão – Comentários sobre o filme. Palavra aberta

Panelinhas – Perguntas a partir de GIDDENS, Anthony. Tradição. In: O mundo em descontrole: o que a globalização está fazendo de nós. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 47-60 Anotações das panelinhas

Panelão – Resultados das panelinhas. Palavra aberta.

  • Esquema do texto
GIDDENS, Anthony. Tradição. In: O mundo em descontrole: o que a globalização está fazendo de nós. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 47-60

Tradição


Muito recente e produto no máximo dos últimos dois séculos.

Tradição e costume: essência da vida da maioria das pessoas durante a maior parte da história.

Mas, o interesse de estudiosos sobre tradição é reduzido.

Iluminismo do século XVIII: tradição como mero lado sombrio da modernidade, construto implausível, facilmente descartado, tolice.

A noção geral de tradição não existia nos tempos medievais. Não havia necessidade de tal palavra, precisamente porque a tradição e o costume estavam em toda parte.

Os pensadores do Iluminismo tentaram justificar seu interesse exclusivo pelo novo identificando a tradição com dogma e ignorância.

Todas as tradições são inventadas.

Nenhuma sociedade tradicional era inteiramente tradicional.

Não existe tradição completamente pura: toda continuidade nas doutrinas de grandes religiões é acompanhada de muitas mudanças, algumas até revolucionárias, no modo como são interpretadas e cumpridas.

É errôneo supor que, para ser tradicional, um conjunto de símbolos ou práticas precisa ter existido por séculos.

As características distintivas da tradição são o ritual e repetição.

As tradições são sempre propriedades de grupos, comunidades ou coletividades. Indivíduos podem seguir tradições ou costumes, mas as tradições não são uma característica do comportamento individual do modo como os hábitos o são.

Uma tradição se distingue por definir um tipo de verdade. Uma pessoa que segue uma prática tradicional não cogita de alternativas. Por mais que a tradição possa mudar, ela fornece uma estrutura para a ação que pode permanecer em grande parte não questionada.

As tradições em geral têm guardiães - feiticeiros, sacerdotes, sábios.

O Iluminismo pretendeu destruir a autoridade da tradição. Seu sucesso foi apenas parcial. A tradição continuou forte por longo tempo.

Mudanças institucionais sinalizadas pela modernidade limitaram-se em grande parte a instituições públicas - especialmente o governo e a economia.

Maneiras tradicionais de fazer as coisas tenderam a persistir, ou a ser restabelecidas, em muitas outras áreas da vida, entre elas a vida cotidiana.

Nos países ocidentais, não só as instituições públicas mas também a vida cotidiana estão se libertando do domínio da tradição.

Uma sociedade que vive após o fim da natureza: poucos aspectos do mundo físico continuam isentos da intervenção humana.

Cada vez menos a tradição é vivida da maneira tradicional (defender as atividades tradicionais por meio de seu próprio ritual e simbolismo, defender a tradição por meio de suas pretensões internas à verdade).

A tradição e a ciência por vezes se mesclam.

Tradição que é esvaziada de seu conteúdo, e comercializada, torna-se herança ou kitsch - as bugigangas que se compram na loja do aeroporto.

Não deveríamos aceitar a ideia do Iluminismo de que o mundo deveria se desvencilhar por completo das tradições: persistirão sempre porque dão continuidade e forma à vida.

Ninguém seria capaz de trabalhar de uma maneira inteiramente eclética. Sem tradições intelectuais as ideias não teriam foco nem direção.

As tradições vão continuar a ser apoiadas enquanto puderem ser efetivamente justificadas - não em termos de seus próprios rituais internos, mas mediante a comparação delas com outras tradições ou maneiras de fazer as coisas.

À medida que o papel da tradição muda, contudo, novas dinâmicas são introduzidas em nossas vidas: tensão entre autonomia de ação e compulsividade; tensão entre cosmopolitismo e fundamentalismo.

Um polo da globalização: luta entre dependência e autonomia


Onde a tradição recuou, somos forçados a viver de uma maneira mais aberta e reflexiva.

O contexto de declínio da tradição oferece a possibilidade de maior liberdade de ação: emancipação humana dos constrangimentos do passado. A dependência entra em jogo quando a escolha, que deveria ser impelida pela autonomia, é subvertida pela ansiedade.

Onde a tradição declina a escolha do estilo de vida prevalece: a individualidade não fica isenta e o senso de identidade tem de ser criado e recriado de forma mais ativa.

Outro polo da globalização: embate entre uma perspectiva cosmopolita e o fundamentalismo.


Fundamentalismo é tradição sitiada: resposta às influências globalizantes por todos os lados.

Reclama um retorno aos textos ou escrituras básicos, a serem lidos de maneira literal: que as doutrinas derivadas de tal leitura sejam aplicadas à vida social, econômica ou política.

É tradição defendida da maneira tradicional - por referência à verdade ritual - num mundo globalizante que exige razões.

Nada tem a ver com o contexto das crenças, religiosas ou outras: o que importa é o modo como a verdade das crenças é defendida ou sustentada.

O fundamentalismo pode se desenvolver no solo de tradições de todos os tipos. Não tem tempo para a ambiguidade, a múltipla interpretação ou a múltipla identidade - é uma recusa do diálogo num mundo cujo ritmo e continuidade dependem dele.

O fundamentalismo não é apenas a antítese da modernidade globalizante, também lhe faz perguntas. A mais básica é: podemos viver num mundo em que nada é sagrado?


Leituras de apoio
HORTON, Paul Burleigh, HUNT, Chester L. A ciência e a busca da verdade. In: Sociologia. São Paulo: McGraw-Hill, 1980. p. 2 -17 (Galerias de Arquivos: HORTONhunt01ciencia e a busca da verdadeP2a17)

HORTON, Paul Burleigh, HUNT, Chester L. Campos e métodos da sociologia. In: Sociologia. São Paulo: McGraw-Hill, 1980. p. 19-36 (Galerias de Arquivos: HORTONhunt02campos e metodos da sociologiaP19a36)

GIDDENS, Anthony. Família. In: O mundo em descontrole: o que a globalização esta fazendo de nos. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 61-75 (Galerias de Arquivos: GIDDENSfamilia)

EDF0113 Aula 8 11 de abril de 2019 Noite Opinião

  • Para Aula 9 25 de abril de 2019 Viagem à UFPR Litoral
ABRAMO, P. Pesquisa em ciências sociais. In: HIRANO, S (Org.). Pesquisa social: projeto e planejamento. São Paulo: T. A. Queiroz, 1979, p.19-87. (Galerias de Arquivos: ABRAMOpesquisaEmCienciasSociais1979)